Opinião

Bombo do leite

A Seleção Espanhola durante largos anos teve a animar a sua claque o saudoso Manolo "el del Bombo" que com o seu grande bombo animava os adeptos e puxava pela equipa durante os jogos.
Como é natural nestas coisas, sempre que Espanha metia um golo Manolo começava a tocar o seu bombo como se não houvesse amanhã, em sentido contrário, quando se antevia a derrota o bombo era silenciado e passava a ser um mero adereço despojado da alegria.
Evoco este personagem do imaginário futebolístico, não para bombar no anunciado fim da "Marca Açores" que fará silenciar muitos bombos dos "Manolos" dos nossos campos, mas para demonstrar o paralelismo que existe entre o espanhol tamboreiro e o Presidente Bolieiro, na reação à redução de 3 cêntimos no preço do leite.
Tal como Manolo, há um ano, quando houve um aumento do preço do leite, o Governo, veio logo a público anunciar que "Bolieiro garante revisão do preço do leite pago ao produtor na Graciosa e Terceira", ou seja, quando houve um "golo" o nosso Manuel não se cansou de bater bombo, agora que é anunciada uma redução, Bolieiro já não garante coisíssima nenhuma, não reage, o seu bombo foi silenciado, quem sabe se se rompeu de tanto bater no passado.
Manolo festejava os golos, mas nunca afirmou que os marcava, já Bolieiro ao "garantir" reclamou o "golo" e por isso não se pode desresponsabilizar quando a lavoura da Terceira perde por 3-0.
Em vésperas de Carnaval ao bombo roto acresce a paródia aos agricultores, com o Secretário A.Ventura, a afirmar que "nós nunca associamos um pagamento a uma data, portanto, não há atrasos", só faltou terminar com o trava-línguas: O atraso perguntou ao atraso quanto atraso o atraso tem. O atraso respondeu ao atraso, que o atraso tem tanto atraso, quanto atraso o atraso tem.